Lucrécia
— Então faça o mesmo, Lucrécia. Case-se por amor e não por capricho.
Dou uma risada carregada de um deboche tão ácido que sinto o gosto metálico do meu próprio desprezo. Minha mão, que segura o telefone, aperta o aparelho com tamanha força que os nós dos dedos ficam esbranquiçados. Recosto-me no sofá de veludo da suíte, observando o reflexo de um lustre de cristal que, no momento, parece brilhar com a mesma frieza que sinto no peito.
— Ai, ai, Genevra... Você aí, vivendo em um mundo de