Mundo ficciónIniciar sesiónO pai de Alessandra vê sua filha no caixão e opta por não acompanhar o cortejo até o cemitério.
Ele perdeu suas duas filhas.
Valentina sua filha mais nova era minha melhor amiga, mas morreu em um ataque da máfia Camorra aos cartéis mexicanos, tudo isso por uma intriga entre a família de Romeo com uma família poderosa do clã da Camorra.
Desde então, ambas são máfias rivais e as consequências são mortes de todos os lados, apesar de que há algumas sugestões de uma aliança novamente entre as duas.
Ela e o marido morreram, a mais velha acaba de tirar sua própria vida, deixando-o sozinho.
Bella Rossi surge novamente indo até o pai dela, que está perto de Romeo e Liam.
É incrível como ela gosta de estar perto de todos, não consegue ficar quieta.
Mas ela deve ter esquecido que é perigoso ser duas caras.
— Querida, Antonella Rossi estava esperando para vê-la — vovó se aproxima com a mãe de Bella.
Meus olhos encontram os dela. Não estou sorrindo ou animada ao encarar um rosto tão traiçoeiro.
— Seus olhos lembram os olhos da minha melhor amiga. Estou muito feliz por ter voltado bem, Kiara, deixou sua família preocupada e um lugar vazio. — Sorri de forma falsa.
Dou risada.
Sinto ela recuar um pouco. Os olhos azuis ficam arregalados.
— Apenas fiquei dois meses fora para modelar. Jamais iria abandonar o meu lugar, o título para ser ocupado por outra.
— Kiara jamais deixaria tudo para sempre — vovó me defende. — Ele sabe da importância que tem para mim, nossa família. Ela é irmã do subchefe do Don, não é uma simples menina, desde pequena sabe dessa importância — assegura com um sorriso de satisfação.
Vovó Bernardita está amando ver que estou voltando atrás, mostrando as garras ao falar de tudo o que me pertence.
— Vejo a coragem e determinação de sua mãe, Kiara. Sinto falta dela todos os dias, não recrimino o que ela fez. — Pisca várias vezes ao dizer rapidamente. — Conte comigo, você é como uma segunda filha para mim.
— Não tenho o seu sangue, querida — respondo, sorrindo. — Tenho tudo o que preciso, acho que deveria tentar outra forma de se aproximar de mim.
Ela fica pálida, mas ainda mantém o sorriso falso.
— Tem razão, você já é uma mulher.
— Kiara tem o temperamento forte, sabe que nossa família é bastante intensa. Mas não recomendo falar da mãe dela, ela está morta e não tem mais nada para contar — vovó a avisa com certo veneno na voz.
— Perdão, mas éramos muito amigas.
Aproximo-me dela.
— Sua filha quer uma amizade igual comigo, mas não sei.
— Nossas famílias sempre se deram bem, pense nisso, Kiara. Licença, até outra hora, queridas — despede-se beijando minha avó na bochecha.
Ela não ousa tentar uma aproximação.
— Não deve arrumar problema com nenhum Rossi, Liam não quer isso.
Olho para minha avó.
— Liam não quer que as pessoas mencionem nada sobre minha mãe, ela cometeu um erro, vovó.
Vovó se coloca à minha frente ganhando toda a minha atenção.
— Milena Bernardi ficou feliz com sua volta. É bom que tenha amizade com ela, nossas famílias sempre se deram bem e você precisa limpar qualquer dúvida que deixou ao sair da Sicília — avisa, séria. — Tenho que lembrá-la sobre a importância do sangue na Ndrangheta e a família.
— Milena é a única que sempre confiei aqui no nosso círculo. Voltar para Sicília e ao meu posto de principessa não está bom? Lembrar sobre as aulas que tive quando era pequena? — sorrio, debochada. — Vovó, não preciso disso.
Ela nega.
— Você precisa, não me desafie, Kiara. Não cometerá mais erros, tem que agradecer ao seu irmão por ter estendido a mão para você — reforça com a voz fria. — Seu sangue é de uma família de gerações da nossa máfia, sabe do peso que isso tem no submundo.
Tudo gira em torno do poder que o clã tem, principalmente das famílias que são para onde os mais fracos correm.
Um exemplo: Bella Rossi e sua mamãe.
Encaro-a sorrindo convencida.
Não esqueci de nada o que foi explicado e exigido de mim durante minha vida inteira.
— O sangue é muito importante para todos nós. Promessas de sangue principalmente, não se pode quebrar nenhuma. Devemos honrar o sangue que cairá da sua mão para uma promessa com outro sangue tão puro e poderoso.







