Mundo de ficçãoIniciar sessãoO olhar de Romeo é como um veneno, te deixa imóvel, olhar para os seus olhos verdes intensos, é uma escolha perigosa.
Seus olhos estão em minha avó, ela veio prestar as condolências.
Ele possui um nariz fino, a barba pequena que o torna sedutor para a maioria das mulheres, lábios médios cobertos de pecado e maldade.
Romeo tem os cabelos escuros curtos, é musculoso e alto.
Seu terno preto apenas deixa em evidência os seus músculos.
Contudo, seu olhar é perigoso, ele é aquela faca que corta sua mão sem você ao menos perceber. Ele transmite ambição, poder e um grande perigo.
Sua face jamais será inocente, ele não conhece um pingo de bondade.
— Sinto muito por Alessandra, Romeo. Em um dia tão feliz para mim pela volta da minha neta, sabemos de uma tragédia — lamenta, olhando para o caixão de Alessandra. — Como ela morreu?
Alessandra está usando um belo vestido vermelho, a tampa do caixão está aberta enquanto algumas flores estão em suas mãos.
— Ela ingeriu uma quantidade exagerada de remédios — Romeo responde sem expressar nada.
Vovó engole em seco.
Uma amiga dela aparece e ela aproveita para sair de perto do Don.
Aproximo-me ganhando seu olhar.
— Kiara.
— Romeo — esboço um leve sorriso.
— Liam comentou sobre sua escolha de vida, pena que não deu certo. Voltou para Sicília do mesmo jeito que saiu, sem nada — suas palavras escorrem puro veneno.
— Meus pêsames, apesar de que isso não significa nada para você — respondo olhando para sua falecida esposa. — Pensei que você tivesse matado ela com as suas próprias mãos.
Seu olhar fica perigoso.
— É bom saber que tem isso em mente. Como também deve saber que sei tudo sobre o seu segredo sujo, principessa.
Crispo os olhos para ele.
Odeio seu olhar.
— Claro que você saberia. Contou para Liam os meus planos quando não planejava falar nada — rosno, irritada. — Estragou tudo o que havia planejado.
Ele sorri de uma forma sombria se aproximando de mim.
Apenas um passo deixaria nossos rostos colados.
— Ninguém sai da Ndrangheta, muito menos quem tem esse sangue correndo pelas veias. Você sabe disso, mas desafiou o destino, agora voltou novamente para sua origem, precisa do dinheiro e todo o luxo que a máfia pode proporcionar — provoca com sua voz rouca em um tom perigoso.
Ele quer me ver perder o controle perto de todos.
Olho em seus olhos, os mesmos olhos que adoram ver sangue saindo de seus inimigos e vítimas.
— Sei que estava com saudades de mim, mas agora estou de volta permanentemente. Para o seu desgosto terá que suportar a principessa da Ndrangheta — aviso com um belo sorriso.
Passo por ele não olhando para trás.
Sei que ele está acompanhando todos os meus passos.
Encontro minha melhor amiga quando saio do grande salão, Milena me abraça com bastante força.
— Finalmente voltou para sua casa, Kiara! Você me deixou sozinha, nem arriscou me levar para ter um pingo de aventura — protesta, nervosa.
Gargalho.
— Queria que todos da Ndrangheta fossem atrás de nós? Seríamos alvos procurados com recompensas.
— Queria muito falar com você, mas sabe como o meu pai é. Não ficou bem vista sua saída de casa e da máfia daquela forma.
Respiro fundo.
— Sei como todos são rígidos por aqui. Liam não teve vontade de ligar para mim, meu pai morreu e ele não me avisou — comento, rindo, cínica. — Não consigo sentir saudades de um homem tirano que queria me moldar como uma boneca para impressionar e passar o poder de gerações.
Ela assente.
Seus cabelos loiros estão presos em um rabo de cavalo, ela está usando um vestido preto discreto com apenas uma pulseira.
Os olhos mel dela demonstram preocupação comigo.
— Você sobreviveu.
— Liam conseguiu me trazer de volta, não tive outra escolha. — Dou de ombros. — Afinal, somos apenas um pelo outro, por mais irônico que pareça toda essa situação.
— Ele tem mais poder agora que seu pai está morto. Kiara, você deve ter cuidado com o Liam, é preciosa e única herdeira depois dele — me alerta baixinho. — O sangue é muito importante para nosso clã e você sabe.
— Eu sei. O sangue chama pelo sangue, promessas de sangue, tudo o que queria esquecer. — Suspiro levemente.
Ouço passos próximos, Bella Rossi se aproxima de nós com um sorriso irritante e falso.
— É bom estarmos juntas novamente. Nossas famílias são unidas e poderosas, meninas, devemos ficar próximas ainda mais agora que Kiara está de volta.
Encaro-a forçando um sorriso.
Meu instinto sussurra ideias de como me livrar dela como um pequeno inseto.
— Teremos tempo para construir algo semelhante a nossa infância, Bella — afirmo, deixando meus olhos fixos nos seus.







