Sophie Castellan
Ella Moreau chega à Mansão Harrington sob chuva fina e céu de chumbo, carregando apenas uma mala surrada e segredos que prefere enterrar. Ela precisa daquele emprego de babá. Precisa do silêncio daquela casa grande demais. Precisa desaparecer do passado que a persegue.
Nathaniel Harrington é um homem de gelo. Aos 35 anos, comanda um império imobiliário com mão de ferro e coração trancado. Viúvo há dois anos, ele transformou a dor em distância, o luto em trabalho obsessivo. Sua filha, Luisa, de apenas cinco anos, parou de falar no dia em que a mãe morreu. Quatro babás desistiram. Ella é a quinta. E provavelmente a última chance.
A mansão é um mausoléu de memórias. Silenciosa, impecável, morta. Nate mal olha para Ella. Luisa a observa com olhos assustados, apertando um coelho de pelúcia como quem segura a única coisa que ainda faz sentido. E Ella, acostumada a ser invisível, começa a trazer luz onde só havia sombras.
Mas luz atrai. E Nate não está preparado para sentir de novo.
Ela não deveria ser mais que uma funcionária. Ele não deveria ser mais que um emprego temporário. O sobrenome dela — Moreau — é o mesmo da esposa morta, uma coincidência que o assombra. A cicatriz no pulso dela esconde verdades que podem destruir tudo.
Entre olhares que duram um segundo a mais, silêncios carregados de coisas não ditas e uma criança que os une sem perceber, Ella e Nate descobrirão que alguns amores não pedem permissão. Alguns amores simplesmente invadem. E curam. E destroem. E reconstroem.
Mesmo quando o passado bate à porta exigindo de volta o que nunca deveria ter deixado ir.
Porque amar de novo não é trair os mortos. É honrar os vivos.