Depois de colocar a xícara na mesa, tirei duzentos reais da bolsa e os joguei aos pés de Joyce:— Isso é para pagar a lavagem a seco da sua roupa.Joyce não se mexeu.Ela ficou parada no mesmo lugar, rígida da cabeça aos pés. Suas mãos, cerradas em punhos, tremiam.Antes, eu sentia medo quando via alguém com raiva. Agora, ainda sentia um pouco de medo.Mesmo assim, endireitei as costas e adotei o mesmo tom provocador que tantas vezes já tinha ouvido por aí:— É melhor você pegar esse dinheiro. Você não achou mesmo que, só porque me pediu desculpas, eu deixaria de processar você, achou? Não pense que um pedido de desculpas resolve tudo. Mimi valia vinte mil. Depois de pegar esses duzentos reais, ainda vão faltar dezenove mil e oitocentos para você me pagar.Depois de dizer isso, não olhei mais para ela e fui embora de cabeça erguida.O reflexo no vidro da entrada revelou o rosto de Joyce. Surpresa, raiva e medo se misturavam, deformando sua expressão.Durval veio atrás de mim:— Raimund
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