A presença de Michele congelou o ar na sala da presidência. Os olhos frios e calculistas da mãe de Laura pousaram primeiro em mim, analisando cada detalhe do meu terno e a distância milimétrica que me separava de seu marido, para depois se fixarem em Henrique. A atmosfera, que já estava saturada de tensão, tornou-se sufocante. — Vejo que cheguei no meio de uma discussão acalorada — Michele disse, a voz suave carregada de um veneno sutil. Ela deu passos elegantes pelo tapete persa, o som dos seus saltos agulha ecoando pelo recinto. — Não sabia que o seu rigor com os estagiários exigia tanta... proximidade, Henrique. Mantive a cabeça erguida, embora o meu coração batesse como um martelo contra o peito. A memória da voz dela no telefone, chamando-me de puta barata, voltou como uma bofetada gelada, mas desta vez não deixei que a vergonha transparecesse. Henrique nem sequer piscou. Com uma calmaria desconcertante, ele contornou a mesa de mogno e se encostou na borda, cruzando os braços
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