O calor da mão de Marcos na minha cintura atravessava o tecido fino do meu vestido azul, anulando instantaneamente a brisa fria da madrugada naquela varanda. Meus pés pareciam cravados no piso de madeira. A razão, dentro da minha cabeça, gritava em desespero: lembra do teu CRM recém-tirado, lembra do teu pai acordando às cinco da manhã na oficina, lembra das fardas e das armas pesadas que guardavam as entradas deste morro. Mas o olhar dele, denso, faminto e completamente despido de qualquer máscara social, simplesmente paralisou todas as minhas defesas.Ele diminuiu o último centímetro de distância entre nós com uma lentidão calculada, desenhada para me desarmar. Quando a boca dele tocou a minha, não foi uma aproximação hesitante ou curiosa; foi um reencontro inevitável, carregado da urgência que ficou acumulada desde a nossa noite na boate.O beijo começou com uma sede contida, mas em questão de segundos virou um incêndio incontrolável. Marcos me puxou para mais perto, colando meu co
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