O REFÚGIO DA DAKOTA Giro a chave na ignição do utilitário de segunda mão e o motor ruge baixinho, vibrando sob as minhas mãos trêmulas. O volante frio de couro gasto parece a única coisa sólida a me segurar no mundo real. Antes de engatar a marcha e puxar a alavanca do freio de mão, fecho os olhos por alguns segundos. Apoio a testa contra o aro do volante, sentindo o pulso acelerado martelar nas minhas têmporas, e deixo que o ar saia devagar do meu peito, transformando a minha exaustão e o meu desespero em palavras silenciosas e suplicantes: — Senhor... que seja feita a Tua vontade, e não a minha. Mas, se for do Teu agrado que eu consiga este emprego, me dá essa luz, Pai... O Senhor, melhor do que ninguém, sabe o quanto eu preciso deste trabalho para sobreviver e dar uma vida ao meu filho. E, por favor, me proteja. Faça com que o John jamais me encontre. Ele não me ama... Depois de tudo o que ele me fez passar, da violência, da humilhação, eu não podia continuar ali. Eu não teria mu
Leer más