POV — FRIDA Quando acordei, a tarde já estava chegando ao fim. Fui até o banheiro e liguei o chuveiro, que parecia ter se aposentado há tempos — mas dessa vez, a água jorrou forte e quente. Finalmente não teria que ficar tomando banho um dia sim, outro não, na beira de um pequeno córrego, tremendo de frio. A água escorreu pelos meus cabelos e por todo o corpo, trazendo uma sensação de alívio e conforto que eu nem lembrava mais que existia. E então lembrei daquele homem. De como ele agiu na noite anterior. Ele poderia ter me xingado, ficado furioso e me deixado ali, caída no meu próprio vômito. Mas não: ele me ajudou, do seu jeito bruto e calado. E agora eu estava ali, tomando um banho de verdade, só por causa dele. Aproveitei e me ensaboei devagar, deixando o calor lavar também a confusão dos pensamentos. Ele era bruto, assustador, falava pouco e parecia sempre pronto para brigar — mas seus gestos não condiziam com a imagem que passava. Lembrei dos seus olhos cinzentos, tão inten
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