POV — FRIDA Na noite seguinte, senti vontade de desenhar, mas logo a alegria deu lugar à tristeza: lembrei‑me de que meu caderno ainda estava lá, na cabana — e com ele, Relâmpago. Como estaria o meu gatinho? Teria que falar com Boris, talvez até implorar, para que voltássemos na cabana. Com esse pensamento em mente, saí do quarto. Já erguia a mão para bater à porta do escritório quando um som me deteve. Era algo belíssimo — uma melodia de cordas que soava baixa e suave, como se guardasse um segredo. Sem pensar, empurrei a porta devagar e entrei. Boris estava de costas, segurando um violino. A melodia que ele tirava dele era maravilhosa: sombria, profunda e capaz de tocar a alma. Cada movimento seu era preciso, dedilhando com exatidão, enquanto o arco deslizava sem parar. Aos poucos, a melodia subiu até o ponto mais alto — e de repente, cessou por completo. — Gostou? — Perguntou ele com voz baixa, sem ainda se virar. Senti o rosto queimar de vergonha. — Perdão… Não conseg
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