Na quarta-feira, Anne acordou com Oliveira miando ao lado da cama como se estivesse tentando alertar o prédio inteiro de que havia sido abandonado. Ainda sonolenta, estendeu a mão até o criado-mudo, encontrou o celular e precisou piscar algumas vezes para enxergar o horário na tela. Passava das dez, o que explicava a indignação do gato e a maneira insistente como ele apoiava as patas dianteiras no colchão, miava perto do rosto dela e depois caminhava até a porta, voltando segundos depois para repetir todo o processo. — Eu já entendi, Oliveira. Você está com fome. O gato respondeu com outro miado e saiu do quarto assim que Anne afastou o cobertor. Ela o acompanhou até a cozinha, ainda tentando despertar por completo, encheu o pote de ração e trocou a água enquanto ele circulava ao redor de suas pernas, apressando um serviço que ela já estava fazendo. Quando a comida finalmente foi colocada diante dele, Oliveira mergulhou o focinho no recipiente sem sequer olhar para a dona. — Todo
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