As manhãs na comunidade tinham um ritmo próprio.Antes mesmo das oito horas, o cheiro de café fresco já tomava conta da rua. As portas das casas se abriam aos poucos, crianças corriam atrás de uma bola improvisada e os primeiros clientes se aproximavam da barraca de dona Cida.Lygia já havia transformado aquele caminho em parte da sua rotina.Assim que dobrou a esquina, sorriu discretamente.— Bom dia, dona Cida.A senhora levantou os olhos e retribuiu o sorriso.— Bom dia, minha filha. O café já tá prontinho.Lygia sentou-se na cadeira de plástico enquanto dona Cida preparava a xícara.Mas, antes de terminar de servir o café, a idosa parou por um instante.Levou a mão à testa.Piscou duas vezes.O copo quase escapou de seus dedos.— Dona Cida? — perguntou Lygia, levantando-se imediatamente.A senhora tentou sorrir.— Não foi nada... só uma tonturazinha...Antes que terminasse a frase, perdeu o equilíbrio.Lygia foi rápida.Segurou a idosa antes que ela caísse no chão.Os poucos clien
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