POV HELENA VALE Caian não voltou para a cama naquela noite. Eu soube antes mesmo de abrir os olhos. O lado dele estava frio. Não apenas vazio. Frio. Passei a mão pelo lençol onde o corpo do meu marido deveria estar e senti um buraco se abrir no peito, lento e silencioso, como se alguma coisa dentro de mim já tivesse entendido antes da minha mente ter coragem de acompanhar. Aurea estava quieta. Quieta demais. — Ele dormiu no escritório? — perguntei baixo, embora soubesse que ela não precisava ouvir minha voz para entender. Ela se mexeu devagar dentro de mim, pesada, como uma loba ferida que não queria levantar. Dormiu longe. Fechei os olhos com força. Longe. A palavra pareceu maior do que a distância entre o quarto e o escritório da mansão. Caian já tinha dormido fora antes, em noites de crise na fronteira, depois de ataques, quando a matilha sangrava e o alfa precisava permanecer acordado até o último lobo estar seguro. Mas nunca dormia longe por escolha. Nunca de mim. Sentei na
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