POV HELENA VALE Na manhã seguinte, a Serra de Ravena amanheceu coberta de neblina. A mansão parecia suspensa dentro de uma nuvem fria, e por alguns minutos, olhando pela janela, eu desejei desaparecer dentro dela. Mas Lunas não desapareciam. Lunas vestiam a roupa certa, ajeitavam o cabelo, escondiam olheiras com corretivo e desciam as escadas como se o coração não tivesse passado a madrugada se desfazendo em silêncio. O acolhimento das famílias do norte era uma cerimônia pequena, mas importante. Três famílias haviam solicitado abrigo após conflitos na fronteira, e cabia a Caian, como alfa, aceitar oficialmente aqueles lobos sob proteção da Serra de Ravena. Cabia a mim, como Luna, recebê-los. Era uma tradição antiga, mais simbólica do que política, mas eu sempre levei a sério. Um lobo podia obedecer ao alfa por força, mas era a Luna quem fazia a matilha parecer lar. Caian me esperava no carro. Não falou sobre a noite anterior. Eu também não. Às vezes o silêncio entre duas pessoas
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