"Há verdades que libertam. Outras apenas mostram o tamanho das correntes que carregávamos sem perceber."A manhã nascera tímida sobre a Fazenda Mirador.Uma névoa fina cobria os campos, envolvendo o velho casarão em um silêncio quase sagrado. O perfume da terra molhada misturava-se ao aroma das árvores centenárias que cercavam a propriedade. O tempo parecia caminhar mais devagar naquele lugar, como se cada pedra, cada janela e cada pedaço de madeira guardassem lembranças que se recusavam a desaparecer.Helena estava parada diante da varanda.Não conseguia desviar os olhos do horizonte.O sol começava a romper a neblina, tingindo o céu com tons dourados e alaranjados. Era um amanhecer bonito.Bonito demais para alguém que carregava o coração em pedaços.Ela segurava o medalhão entre os dedos.Sem perceber, fazia exatamente o que costumava fazer quando estava nervosa: passava o polegar sobre o metal frio, como se procurasse ali alguma resposta.Atrás dela, ouviu o ranger suave da porta.
Ler mais