*Henry* O nono dia de ausência foi o mais insuportável. Eu me encontrava sentado na mesa do conselho, analisando mapas das rotas comerciais com a mão apoiada na têmpora, tentando conter a vibração persistente na minha caixa craniana. O acônito, em doses pequenas mas constantes, era um veneno silencioso. Ele me mantinha humano, mantinha o lobo em um torpor apático e impedia que eu perdesse o controle, mas o custo era uma névoa constante que turvava a minha visão e um cansaço que parecia se infiltrar nos meus ossos como um parasita. Eu precisava disso. Aquele deserto de silêncio entre mim e Elise era o único lugar onde eu podia ser, minimamente, um homem. Mas, sem a fera para me alertar, a minha percepção do mundo tinha mudado. O meu lobo costumava filtrar o perigo antes mesmo de ele chegar. Ele sentia a mudança na pressão do ar, a frequência cardíaca alterada de um soldado traidor, a intenção oculta por trás de um aperto de mão diplomático. Agora, eu dependia apenas dos meus s
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