POV JullieO negrume do oceano me engolia. Eu estava presa no fundo da cabine daquela lancha, a água batendo no meu pescoço, fria e densa. Gustavo estava do lado de fora do vidro, olhando para mim com o mesmo rosto congelado que vi antes de apagar, segurando a mão de Débora enquanto o jeto subia. Eu batia no vidro, gritando pelo meu filho, sentindo a dor dilacerante rasgar o meu ventre novamente. A velha Vera ria ao longe, o eco dos seus tapas se misturando ao som das sirenes. “Você matou o meu menino!”, ela gritava, enquanto a lama do cemitério subia pelos meus joelhos, me enterrando viva.— Não! O meu bebê não! Gustavo! — meu próprio grito rasgou a minha garganta, estraçalhando a ilusão do sonho.Sentei-me na cama num solavanco, o peito subindo e descendo numa velocidade assustadora. Eu estava encharcada de suor frio, o cabelo colado na testa e as mãos cravadas no lençol cinza. O quarto de hóspedes estava completamente escuro, exceto pelo feixe de luz da lua que cortava a janela.
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