POV JullieO céu sobre o Cemitério São João Batista parecia chorar uma garoa fina e gélida, combinando perfeitamente com o clima fúnebre que dominava as alamedas de mármore. Daniel estacionou o sedã escuro em uma via lateral, sob a copa de uma mangueira antiga. Dali, através dos vidros fumê e da névoa da chuva, eu conseguia ver o mar de guarda-chuvas pretos cercado por coroas de flores gigantescas. O jazigo da família Goulart estava sitiado pela imprensa.Ao nosso lado, no banco de trás, o soldado da Polícia Militar designado para cumprir a ordem judicial de monitoramento permanecia em silêncio, os olhos atentos a cada movimento meu.Eu usava o vestido preto de crepe que Daniel havia comprado. Ele servira perfeitamente, moldando-se ao meu corpo de forma sóbria. Apertei minhas próprias mãos no colo, sentindo as lágrimas escorrerem silenciosas enquanto assistia, de longe, o caixão vazio e lacrado de Gustavo ser descido à terra. Meu coração sangrava. Na minha mente, eu estava enterrando
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