(POV Liah)Sete da manhã, e a casa ainda tem aquele silêncio gostoso de quem dormiu bem pela primeira vez em dias.Café já frio na xícara, ficha clínica aberta no celular, e a sensação estranha de normalidade que dura exatos cinco minutos antes do telefone vibrar. É engraçado como o corpo aprende a desconfiar de paz rápido demais nessa casa — cinco minutos de silêncio já parecem tempo emprestado, um intervalo que a gente sabe, no fundo, que vai ser cobrado de volta.A luz da manhã entra pela cozinha num ângulo baixo, iluminando a poeira suspensa no ar, e por um instante eu só fico ali, parada, deixando o corpo relaxar de um jeito que ele não relaxava há dias. Manhã seguinte, e o joelho responde melhor do que eu esperava depois da sessão noturna na piscina.Testo a amplitude, a estabilidade, o ângulo de flexão sem carga, e cada medida vem dentro do esperado, talvez um pouco além. Anoto cada número numa ficha mental que eu seguro com mais cuidado do que qualquer prontuário físico, cons
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