O homem intactoPOV ADRIÁNCinco anos depois.A sala de reuniões cheira a café caro e ambição contida. Doze pessoas rodeiam a mesa de mogno, todas a olharem para mim como se cada palavra que saísse da minha boca fosse um mandamento corporativo. Mattias apresenta os números do último trimestre com gráficos que sobem e descem no ecrã como promessas de sucesso contínuo. Victoria toma notas com a precisão que a caracteriza, a caneta a mover-se em linhas perfeitas sobre papel que provavelmente custa mais do que o salário semanal de metade dos presentes. Alguém menciona algo sobre expansão na Ásia, projeções otimistas, mercados emergentes que estão prontos para serem conquistados. Estou aqui, mas não estou. Fisicamente presente, ocupando a minha cadeira na cabeceira da mesa, acenando com a cabeça nos momentos certos, mas emocionalmente ausente. É uma habilidade que aperfeiçoei ao longo de cinco anos, esta capacidade de funcionar sem sentir, de liderar sem estar realmente presente, de existi
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