AuroraContinuei a tarde toda com os olhos pregados na tela do computador, mas a verdade é que a minha atenção estava cem por cento voltada para a sala da presidência. Aquele terno limpo, o banho rápido e, principalmente, a reação ridiculamente pacífica do Victor diante do café derramado na roupa dele continuavam martelando na minha cabeça.Quando deu meio-dia em ponto, a porta de madeira nobre se abriu. Victor apareceu no batente, abotoando o paletó de forma calma.— Aurora — ele chamou, a voz num tom terrivelmente suave. — Você pode fazer uma pausa maior hoje. Está liberada para almoçar mais cedo e voltar quando se sentir confortável. Bom apetite.Eu pisquei devagar, segurando a caneta com tanta força que os meus nós dos dedos ficaram brancos.— Obrigado, senhor Albuquerque — respondi, tentando soar neutra, mas por dentro eu estava entrando em parafuso.Ele me deu um leve aceno de cabeça e caminhou em direção ao elevador. Eu fiquei encarando o espaço vazio onde ele estava. Aquele ho
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