Aurora passou dois dias olhando para o cartão do advogado de Augusto.Ele permanecia sobre sua mesa de trabalho.Sempre ao alcance dos olhos.Como se lembrasse, a cada instante, que uma decisão precisava ser tomada.Ela tentou ignorá-lo.Mergulhou na especialização.Aceitou novos projetos.Saiu para jantar com Marina e Caio.Mas, por mais que tentasse ocupar a mente, as perguntas continuavam voltando.Quem era Augusto Ferraz além do homem da fotografia?Como alguém podia passar quase trinta anos sem saber que tinha uma filha?E, acima de tudo, como seria olhar nos olhos daquele homem sabendo que compartilhavam o mesmo sangue?Naquela sexta-feira, ao sair da universidade, Aurora entrou no carro de Caio completamente silenciosa.Ele dirigiu por alguns minutos antes de perguntar:— Você decidiu, não foi?Ela sorriu de leve.— Está tão na cara assim?— Eu aprendi a reconhecer esse seu silêncio.Aurora olhou pela janela.As luzes da cidade começavam a acender.— Vou encontrá-lo.Caio apena
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