Bruno Vane entrou no escritório sem bater, levava uma pasta de papelão marrom debaixo do braço, daquelas baratas que usam nos tribunais, e uma expressão que León não soube interpretar. Não era alegria, tampouco preocupação, era aquela expressão de acabou, a que fica quando se termina um trabalho desagradável.León estava ao telefone, discutindo com um banco na Suíça sobre a liquidação de alguns fundos, desligou sem se despedir ao ver o advogado.—Café? —ofereceu León, apontando para a jarra.—Melhor algo mais forte, mas são dez da manhã. —Bruno sentou-se e deixou a pasta sobre a mesa. Fez um som seco ao cair sobre a madeira—. Acabou, León, terminou.León olhou para a pasta, mas não a tocou.—Rafael?—Rafael. —Bruno afrouxou o nó da gravata—. Meu contato na prisão federal acabou de me ligar, nesta madrugada, durante a contagem das seis, os guardas encontraram Rafael Alcázar em sua cela no módulo de isolamento.—E?—Digamos que decidiu partir antes da hora. —Bruno fez um gesto com a mão
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