(Narrado por Clara) Cheguei em casa com a raiva ainda presa ao peito, como se a tivesse trazido comigo do escritório e não houvesse forma de me libertar dela. Embora tenha tentado me convencer de que não era para tanto, de que podia deixar passar, a realidade era outra: me incomodava, me doía… e sim, tinha a ver com ele. Não cumprimentei ninguém. Subi direto para o quarto e me deixei cair na cama, encarando o teto como se fosse encontrar respostas ali. Mas a única coisa que encontrei foi mais frustração. Por isso, quando ouvi a porta se abrir, nem sequer me mexi. — Se continuar caindo assim, vai quebrar alguma coisa — disse o Adrián da entrada, com aquele tom tranquilo que, naquele momento, não ajudava em absolutamente nada. — Perfeito — murmurei —, assim pelo menos quebro algo que não seja eu. Ele entrou sem pressa, aproximando-se o suficiente para que a sua presença fosse sentida, mas sem invadir completamente o espaço — como se soubesse que, se o fizesse rápido demais, só pio
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