O segundo dia na mansão começou em uma calma enganosa — daquelas que não tranquilizam, mas sim preparam o terreno para algo pior. Eu tinha pegado no sono sem perceber, esgotada por tudo o que havia acontecido, e, quando acordei, ainda estava na mesma cama em que havia deitado na noite anterior. Com o Adrián. Não tínhamos conversado nem explicado nada, mas também não foi incômodo. Dormir ali não foi uma decisão consciente, mas algo que simplesmente aconteceu, como se, no meio de todo o caos, aquele pequeno espaço de proximidade fosse a única coisa que não precisava de justificativa. O barulho que veio depois quebrou tudo. Uma voz alterada vinda da entrada, fora de lugar, carregada de urgência, atravessou o silêncio da casa com uma força que não combinava com aquele ambiente controlado. Naquela mansão, ninguém levantava a voz sem um motivo, e esse motivo nunca era bom. — Clara! Destaquei-me da cama de imediato, reconhecendo a voz sem precisar pensar, e, em questão de segundos, já
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