POV de GabrielaA sala de espera do hospital era um purgatório. As cadeiras eram duras, a luz era branca demais, e o cheiro de álcool grudava na pele como uma segunda camada de roupa. Eu não dormia há quase vinte e quatro horas, mas não sentia cansaço. Só sentia o vazio.O médico apareceu no corredor, o mesmo de antes, com a mesma expressão cansada. "Ele está estável. Podem entrar para ver ele. Mas um de cada vez. E só por alguns minutos."A Yara foi a primeira. Depois o Diego. Depois a Chloe, que saiu de lá com os olhos inchados. Depois a Bruna. E eu fiquei por último. Porque era o que eu merecia.Quando finalmente chegou a minha vez, minhas pernas tremiam. Abri a porta devagar e entrei.O quarto era pequeno, iluminado por uma luz fraca. As paredes eram brancas, nuas, sem graça. E no centro, deitado numa cama de hospital, estava o Adrian.Ele tava tão pálido. Tão quieto. Os olhos escuros, que sempre brilhavam com aquele sorriso torto, estavam fechados. O peito subia e descia devagar,
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