Cap. 22
ValentinaEu comecei a desconfiar que naquela casa até o silêncio obedecia Cillian O’Rourke.Não era uma impressão bonita, nem romântica, nem dessas que eu poderia transformar em frase dramática para contar a Giulia depois. Era uma constatação incômoda, construída ao longo de dias curtos e noites longas, em pequenos detalhes que se repetiam até deixarem de parecer coincidência.Quando ele entrava em um cômodo, as vozes diminuíam.Quando caminhava pelo corredor, portas paravam de ranger porque alguém as segurava antes que fizessem barulho.Quando dava uma ordem, ninguém perguntava por quê.Nem Fiona, que parecia ter uma espinha feita de ferro.Nem Patrick, que possuía uma gentileza rara naquela propriedade.Nem Niall, embora ele fosse o único que ousava olhar para Cillian como se ainda pudesse discordar dele sem perder a cabeça.Todos obedeciam.E eu não sabia se aquilo vinha de respeito, medo ou alguma coisa mais antiga que a minha razão não conseguia alcançar.Aoife, por outro lado,
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