elena passou a semana seguinte tentando aprender a viver como se estivesse morta.A ideia parecia absurda quando colocada em palavras, mas era exatamente isso que fazia todos os dias. Acordava em um quarto que não era seu, vestia um jaleco sem o sobrenome Bellini, atendia pacientes que jamais tinham ouvido falar de seu casamento, comia em silêncio no refeitório da base e evitava qualquer tela que pudesse mostrar o mundo que deixara para trás.Ainda assim, o mundo encontrava formas de atravessar as paredes.Às vezes, vinha em uma manchete vista por acidente no tablet de alguém. Às vezes, em um comentário sussurrado entre profissionais que não sabiam que a mulher morta dos noticiários passava por eles no corredor. Às vezes, vinha no próprio corpo, quando uma náusea súbita a obrigava a lembrar que seu filho existia em segredo enquanto, lá fora, era lamentado como vítima de um incêndio.Naquela manhã, Helena estava no ambulatório, organizando fichas de pacientes, quando ouviu duas enferme
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