UM ANO DEPOS.A cobertura continuava a mesma: janelas enormes, vista para a cidade, cozinha moderna, mas havia uma diferença impossível de ignorar. Ela tinha vida.Uma manta esquecida sobre o sofá, livros espalhados pela mesa de centro, uma xícara de café pela metade, a lavanda na varanda estava enorme, cheia de flores roxas e, ao lado dela, um vaso de margaridas.Maytê sorriu ao abrir a janela.— Eu falei que elas iam sobreviver.— Você também falou que eu mataria a lavanda em uma semana.A voz de Gustavo veio da cozinha, ela riu.— E eu estava errada.Ele apareceu usando um avental, o mesmo que um dia usara sem saber fritar um ovo. Agora preparava panquecas enquanto cantarolava uma música qualquer.Maytê apoiou-se na bancada, observando-o, ainda achava engraçado vê-lo cozinhar.— Está olhando o quê?— Você.Ele sorriu.— Tem farinha no meu rosto?Ela aproximou-se e com o polegar, limpou um pequeno ponto branco perto da bochecha dele.— Agora não tem mais.Gustavo segurou sua mão ant
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