POV: RAFAEL Jade gravou quatro vezes. Na primeira, travou logo depois de falar do contrato. Na segunda, uma moto passou na estrada de terra e o barulho entrou inteiro no áudio. Na terceira, ela foi até o fim, mas apagou antes de eu chegar perto do celular. — Ficou ruim? Ela olhou pra tela, incomodada. — Ficou com cara de que eu tô pedindo desculpa. — Você não tá. — Eu sei. Mas parece. Igor estava sentado no braço do sofá, mexendo no rádio e fingindo que não prestava atenção. — Na próxima, fala como você falou comigo quando descobriu que eu tinha usado seu shampoo. Jade virou o rosto devagar. — Você usou meu shampoo? — Era bom. — Era caro. — Pois é. Por isso usei pouco. Ela respirou fundo, como se estivesse decidindo se jogava o celular na cara dele ou se voltava a gravar. Acabou voltando. A quarta foi diferente. Não tinha música. Não tinha maquiagem. Não tinha sorriso de publi. Só Jade, de camiseta preta, cabelo preso mal preso e uma parede cinz
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