65. O Dante De Milão
O último relatório do dia finalmente chega ao fim, e solto o ar, encostando as costas na cadeira. Estou exausta de um jeito que vai além do físico. São quase seis da tarde, e o andar já está mais vazio do que o normal, com apenas algumas luzes acesas nos cantos. Me levanto, pego o relatório impresso e sigo até a sala de Dante. A porta está entreaberta. Paro antes de bater, porque a voz dele chega até mim antes que eu possa anunciar minha presença. Ele está ao telefone, falando em italiano. Não é o italiano que às vezes escapa em uma palavra ou outra. Nem o que ele usou comigo mais cedo, quando estava no limite. É uma conversa inteira, rápida, com a naturalidade de quem nasceu ouvindo aquele idioma. Paro à porta, sem querer interromper, e espero. Pela fresta, vejo que ele está de pé diante da janela, com uma mão no bolso e a outra segurando o telefone. Ouço “Milano”, “Consiglio”, “Ferretti” e várias outras palavras que não entendo. Mas não preciso entendê-las para compreende
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