53. Força do Hábito
Por um segundo, só consigo encarar a pessoa, sem acreditar que isso realmente está acontecendo. Valentina está mesmo no corredor, usando um vestido azul, cabelos soltos e maquiagem perfeita. Arrumada demais para uma manhã de domingo que, para o resto do mundo, significa pijama e preguiça. Para ela, aparentemente, significa outra coisa. — Amy, que prazer em te ver — diz, como se fôssemos velhas amigas. — Oi, Valentina — respondo, mantendo a voz neutra. — Que surpresa. — Ontem quase não tivemos tempo de conversar direito — fala, inclinando a cabeça. — Se bem que, do jeito que Dante surpreendeu a todos no evento, é claro que não teríamos tempo para isso. Ela mantém o sorriso, me olhando de cima a baixo rapidamente. — Quem imaginaria que você seria a senhora Ferretti, não é? Dante realmente soube esconder muito bem. — Ele é discreto — respondo, me encostando no batente. Valentina ri baixinho. — Bem discreto. Conheço esse lado dele. “Tenho certeza que sim”, penso, mas não me
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