A quietude da mansão era, para Audrey, uma forma sutil de tortura. Cada corredor acarpetado, cada vaso custoso e cada silêncio orquestrado pela criadagem a lembravam de que já não era dona de seu tempo nem de seu destino. Naquela manhã, após ver partir o carro que levava os gêmeos para sua segunda jornada escolar, refugiou-se na imensidão de seu quarto. Era um espaço de luxo ofensivo, decorado em tons de marfim e champanhe, mas para ela não era mais do que uma cela com vistas melhores.Sentou-se na beira da cama, sentindo o peso do telefone entre as mãos. Seus dedos roçavam a tela, hesitando, retrocedendo diante do abismo. O dilema que a consumia não era simples. Durante cinco anos, o rancor em relação aos seus pais tinha sido o combustível que a ajudou a manter-se firme no exílio. Lembrava-se com uma clareza dolorosa de como eles a tinham utilizado como uma simples moeda de troca, um ativo a mais em uma transação comercial para acalmar a sede de sangue de Alessandro. Pior ainda, lemb
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