Erick A porta do meu apartamento nunca pareceu tão frágil quanto no momento em que Helena Monteiro a atravessou. Não houve pedido de desculpas, não houve hesitação. Apenas o som dos saltos batendo contra o piso de madeira, um ritmo que sempre significou controle, poder e, agora, uma invasão que eu não estava disposto a tolerar.Renata estava na sala, lendo um dos meus relatórios de projeto, com aquela expressão serena que sempre acalmava o caos que minha vida se tornara. Quando os olhos dela encontraram os de Helena, vi a luz se apagar. Vi o medo, não por ela, mas pelo que sabia que aquela mulher representava.— O que você está fazendo aqui? — minha voz saiu mais baixa do que eu pretendia, um rosnado contido que, em circunstâncias normais, faria qualquer um recuar.Minha mãe não recuou. Ela parou no centro da sala, olhando para o ambiente com um desdém que me embrulhou o estômago. O olhar dela passou por cima de mim, como se eu fosse um móvel mal posicionado, e fixou-se em Renata e n
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