AMÁLIAConversar com Carlos — meu pai — ainda parecia algo impossível de acreditar.Durante toda a minha vida, eu havia acreditado que Omar era um homem bondoso. Cresci ouvindo a história de que ele encontrara um bebê abandonado à própria sorte e, movido por compaixão, decidira criá-lo como filha. Eu o admirava por isso. O via como um exemplo de generosidade e amor.Agora eu conhecia a verdade.Omar não passava de um monstro manipulador que havia roubado minha vida, minha família e minha história.Observei Carlos sentado diante de mim. Quanto mais eu o encarava, mais enxergava semelhanças entre nós. O formato dos olhos, o sorriso discreto, até mesmo a maneira como inclinava a cabeça quando escutava alguém falar.Pela primeira vez, eu conseguia me ver em alguém.E aquilo aquecia meu coração de uma forma que eu jamais imaginara ser possível.— Carlos... tenho mais uma pergunta.Ele sorriu imediatamente.Um sorriso tranquilo, acolhedor.Era estranho como sua presença me transmitia segur
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