CASSIUS Saí do sítio de Amélia com o corpo em tensão, como se cada músculo estivesse prestes a se romper. O ar noturno era frio, úmido, carregado com o cheiro de terra e folhas, mas nada disso foi suficiente para conter o caos dentro de mim. Demétrios se agitava sob a superfície, inquieto, feroz — exigindo espaço, exigindo controle. Por alguns instantes, temi não conseguir detê-lo. A proximidade da lua cheia tornava tudo mais instável, mais intenso, como se a fera dentro de mim estivesse sendo puxada à força para fora. Entrei no Bentley e bati a porta com mais força do que pretendia. O ronco do motor preencheu o silêncio da estrada deserta enquanto acelerei sem hesitar. As árvores passavam borradas pelas janelas, sombras alongadas que pareciam me observar, mas minha mente estava longe dali. As palavras de Amália ecoavam sem trégua. Repetiam-se, insistentes, como um disco arranhado que se recusava a parar. Ela estava sofrendo. Ainda presa àquele inferno. Os pesadelos a perseguiam,
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