LíviaCheguei ao endereço que a María me passou por telefone. Uma casinha charmosa e simples, cercada de plantas.Se eu estava ali, era porque toda a lógica tinha se esgotado, porque nada fazia sentido, porque eu estava com medo. Eu precisava de uma explicação que minha cabeça não conseguia me dar. O Dário aparecia o tempo todo, em cada poro; quanto menos eu queria pensar nele, mais ele se impunha.A verdade é que espiritualidade nunca me convenceu muito. A Renata era fanática — ou melhor, muito praticante. Fazia reiki, registros akáshicos, angelologia e um monte de outras coisas. Acho que era isso que a mantinha sã enquanto estava com o Felipe.Mas suponho que todo mundo tem alguma coisa maior, algo supremo, que faz a gente se sentir seguro. Para a minha mãe, tinha sido a igreja evangélica. Para a Renata, eram os guias espirituais.— E como é que funciona? — eu perguntei.— Não vou ficar explicando de novo. Me dá ouvidos. Você tem o número da María; marca uma consulta com ela e pede
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