LíviaTudo vai bem e de repente tudo vai pro inferno. A vida é assim: uma balança de merda que dá com uma mão e tira com a outra, sem compaixão, sem sentido, sem aviso, sem explicação. E a gente tem que fechar os olhos, apertar a boca e se deixar levar. Quando a desgraçada está satisfeita, quando te vê de joelhos e chorando, aí sim te deixa um tempo em paz.Mas primeiro te faz sangrar.— O que aconteceu? — O Dário estava branco que nem papel, agitado. Tinha aquela voz que usava quando estava com raiva.A enfermeira se aproximou, olhou pra ele com pena.— O senhor era o pai?— Como assim "era"?Claro, ninguém tinha contado pra ele. E coube a mim, porque a mulher saiu sem dizer nada. Acho que ele parou de respirar por uns segundos, tentando entender.— Eu perdi. — Falei sem dar voltas, pra quê? Já estava feito.Odiei como ele me olhou. Primeiro a barriga, depois os olhos. Não sei se era pena ou acusação, mas odiei. Não queria que ele me olhasse, que falasse comigo, que respirasse perto
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