A sala do Conselho Portuário parecia um bunker de luxo suspenso sobre as águas do cais. Revestida com painéis de madeira escura e isolada por vidros triplos que barravam completamente o ruído dos navios cargueiros, a atmosfera ali dentro cheirava a charuto, café caro e decisões tomadas à portas fechadas. Sete conselheiros, todos homens de terno sob medida e expressões blindadas pelo cinismo, ocupavam as poltronas de couro. Na cabeceira, o presidente do Conselho, um aliado histórico das antigas empreiteiras ligadas ao clã Albuquerque, bateu com a caneta na mesa antes mesmo que Helena, Gabriel e Bia V. terminassem de se acomodar.— Engenheira Vitruvia, fomos informados de que o seu escritório causou um tumulto desnecessário na área dos armazéns ontem à tarde — o presidente começou, sem rodeios ou saudações. — O porto opera sob um equilíbrio logístico delicado. Trazer a Polícia Federal e a fiscalização ambiental para cá, baseando-se em supostos laudos de internet, é uma irresponsabilidad
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