A volta para casa foi mais estranha do que Clara imaginava.Durante dias, o hospital havia se transformado em uma realidade paralela. Um lugar onde todas as preocupações giravam em torno de exames, medicamentos e sinais vitais.Agora estavam novamente na sala de estar.No mesmo sofá.Nas mesmas paredes.Na mesma casa onde tanta coisa havia acontecido.Mas ninguém era exatamente o mesmo.Ricardinho foi o primeiro a perceber.Sentado no sofá, coberto por uma manta apesar do calor, observava tudo com atenção.— A casa parece menor.Clara sorriu.— Você ficou uma semana fora.— Foi muito tempo.— Concordo.Ele apoiou a cabeça no encosto.— Acho que quase morri.A frase caiu na sala sem aviso.O sorriso desapareceu imediatamente do rosto de Clara.Ricardo, que organizava alguns remédios na mesa de centro, também ficou imóvel.Ricardinho percebeu.— Desculpa.— Não precisa pedir desculpas — respondeu Ricardo.O menino baixou os olhos.— Mas vocês ficam tristes quando eu falo isso.Porque er
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