CAPÍTULO 114 — O que se sustenta em silêncio Carolina estava sentada no sofá, descansando as pernas, com uma das mãos apoiada sobre a barriga de quase oito meses, quando Gabriel saiu da cozinha carregando duas xícaras de chá. Entregou uma a ela sem dizer nada e se sentou ao seu lado, permitindo que o silêncio fizesse primeiro o seu trabalho. —Você não vai conseguir parar de pensar, amor —disse ele, depois de alguns segundos, com ternura. Carolina soltou o ar devagar. Só então se permitiu respirar de verdade. —Não —admitiu. — Não consigo. Lá fora, a cidade seguia sua rotina. Tudo parecia normal, exceto aquilo que se rompia em silêncio dentro daquela família, naquela rede de vínculos que já não obedecia à lógica de antes. —Conversei com Martín —disse ela, por fim. — Ele está fora de si, Gabriel. Não é apenas raiva… é medo. Ele se sente muito culpado, mas também está cheio de revolta. Tem a sensação de que arrancaram alguma coisa dele antes mesmo que pudesse tocá-la. Gabriel assent
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