21. Marco Hill
É impressionante como um homem consegue estar cercado de gente e, ainda assim, querer estar sozinho.Especialmente quando esse homem sou eu.O celeiro estava cheio naquela noite — música ao fundo, risadas altas demais, o cheiro de comida caseira se espalhando por todo canto como um convite impossível de ignorar — e, mesmo assim, tudo o que eu queria era terminar meu prato em paz, sem conversa fiada, sem olhares curiosos, sem minha avó me empurrando para alguma interação desnecessária.Só que isso nunca acontece.Porque minha avó — e metade das senhorinhas que passam o Natal aqui — parecem viver com o único propósito de me arrastar para qualquer tipo de convívio social, como se o simples fato de eu existir em silêncio fosse um problema a ser resolvido.Eu estava na mesa dos funcionários, ouvindo o Luis contar, pela terceira vez, sobre uma vaca teimosa que se recusou a entrar no curral ontem, quando algo desviou minha atenção.Rosa.Minha tia avó atravessava o celeiro com uma bandeja va
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