POV DE JÚLIA MONTSERRAT[CONTINUAÇÃO DO FLASHBACK — 8/9 ANOS ATRÁS]O sangue que fervia nas minhas veias estancou. O calor do meu ventre se transformou em um bloco de gelo, pesado e incômodo.Eu olhei para as velas, para o champanhe caro, para a renda que mal cobria meu corpo. Tudo aquilo parecia, de repente, uma fantasia ridícula de uma mulher desesperada.— Cansado? Com fome? — repeti, a voz saindo cortante, carregada de um veneno que eu não conseguia esconder.Arthur suspirou. Foi um som de impaciência que me atingiu como um tapa. Ele se afastou da minha coxa e se sentou na beira da cama, de costas para mim.— Sim, Júlia. O dia foi exaustivo na delegacia. Eu juro que não vou te deixar na mão, só quero tirar o suor e comer algo. Podemos pedir uma pizza.Aquilo foi o fim para mim. Eu explodi.Me levantei de um pulo. O colchão oscilou com a minha fúria. Ele me acompanhou com o olhar, pego de surpresa.— Arthur, qual a porra do seu problema? Você é gay por acaso? — as palavras saltaram
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