POV Lucy O relógio digital na parede marcava 03:14 da manhã. O silêncio na UTI Neurológica era cortado apenas pelo gotejar contínuo do soro e pelo bipe rítmico, agora mais espaçado e tranquilo, do monitor cardíaco de Dylan. Lá fora, a tempestade de Nova York havia se transformado numa garoa fina, um choro silencioso que escorria pelo vidro blindado do quarto VIP. Eu não havia dormido um único segundo. Estava sentada na poltrona de couro ao lado da cama, os pés encolhidos sob o tecido da minha calça. A única fonte de luz no quarto, além do visor verde das máquinas médicas, era o brilho azulado do meu notebook apoiado no colo. Com os olhos ardendo pela exaustão e pelo choro contido, eu passava as imagens de uma pasta oculta no meu disco rígido. Eram fotos nossas. Fragmentos do nosso último ano, provas digitais de um amor que o cérebro dele havia decidido apagar. Havia uma foto de nós dois na estufa da mansão, com ele beijando o topo da minha cabeça enquanto a luz do sol poente ilumi
Ler mais