A luz que atravessava as janelas de carvalho da casa de campo naquela manhã não era apenas o sol; era um brilho líquido que parecia lavar as mágoas acumuladas nas últimas semanas. Acordei antes de Alessia, como de costume, mas, pela primeira vez em anos, minha mão não buscou pelo celular na mesa de cabeceira. Em vez disso, meus dedos traçaram, com a leveza de quem manipula o mecanismo de um relógio suíço, o contorno do seu ombro nu que emergia sob o lençol de linho egípcio.Ela dormia com serenidade. Seus cabelos castanhos escuros estavam espalhados pelo travesseiro como fios de seda negra, e a marca roxa que eu havia deixado em seu peito na noite anterior brilhava ali, um selo de posse que me trazia um orgulho primitivo e, ao mesmo tempo, uma vontade avassaladora de protegê-la do mund
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