A primeira coisa que eu senti ao atravessar as portas da empresa novamente foi... normalidade.E isso, de alguma forma, me irritou.Depois de tudo — do escândalo, da exposição, da sensação de que minha vida tinha sido virada do avesso — o mundo simplesmente... seguiu. As pessoas conversavam em pequenos grupos, riam perto da copa, digitavam como se nada tivesse acontecido.Como se eu não tivesse quase desmoronado ali.A poeira baixou.Rápido demais.Ajeitei a alça da minha bolsa no ombro e caminhei pelo corredor com passos firmes, ignorando os olhares discretos. Já não eram curiosos como antes. Não havia mais cochichos evidentes, nem julgamentos velados.No máximo, um ou outro olhar de reconhecimento... e depois, indiferença.Substituída.Por outro escândalo, provavelmente.Claro.Empresas não vivem de estabilidade emocional — vivem de crises rotativas.Quando cheguei à minha mesa, soltei o ar devagar e passei os dedos pela superfície limpa. Tudo estava exatamente como eu havia deixado
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