Luna Castellini6 anos antesEstou sozinha em meu quarto, no escuro. Não tem lâmpada aqui, pois, segundo minha mãe, eu não preciso enxergar para dormir. Como sempre, ela me trancou em meu quarto quando anoiteceu e saiu. Não sei quanto tempo ela geralmente passa fora, pois não tenho como olhar as horas, já que o único relógio da casa fica na cozinha, e ela é a única que tem celular. O silêncio da casa é pesado, abafado, como se as paredes de madeira velha estivessem guardando segredos que eu não deveria conhecer.Acabo pegando no sono e, como acontece em algumas noites, sou acordada pelo barulho de gargalhadas, música alta e vozes alteradas. Percebo que ela chegou acompanhada. Ela vive arrumando namorados. Eu até prefiro quando ela me tranca no quarto, pois, às vezes, o olhar de alguns deles me causa arrepio, como acontece com o mais recente. O som das risadas dela é fino, estridente, um som que não reconheço mais como de felicidade, é falso horrível. Sinto um frio desconfortável subi
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