DanteQuando a palavra "problema" saiu da boca da Chiara, o tempo parou.O som do aparelho continuou ali, aquele chiado de máquina velha misturado ao eco dos nossos próprios batimentos, mas dentro de mim tudo virou silêncio.A mão da Valentina apertou a minha com força, os dedos gelados, o olhar colado na tela.Do meu ponto de vista, a imagem parecia um borrão em preto e branco. Formas estranhas, sombras, pontos que se moviam. Mas eu aprendi a ler muita coisa sem nunca ter estudado, rostos, intenções, mentiras. E, ainda que eu não entendesse a anatomia, entendi a expressão da médica.Ela estava vendo algo que não esperava.Apertei ainda mais a mão da minha mulher.- Explica. - pedi primeiro, baixo, no tom do homem. Chiara respirou fundo. Não respondeu. Continuou mexendo no aparelho, mudando o ângulo, aproximando, afastando.Senti o Don subir devagar.- Chiara. - repeti, agora com menos paciência. - Per favore, diga logo.Ela tirou os olhos da tela e me encarou por um segundo, como se
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