Valentina Acordar não foi como acender uma luz. Foi como emergir de um oceano profundo e escuro. Primeiro veio o som: o bipe rítmico, a respiração pesada de alguém ao meu lado. Depois veio o toque: uma mão grande, áspera e quente segurando a minha. E por último, a dor. Não era a dor aguda do tiro. Era uma dor surda, de corpo esquecido, de músculos atrofiados. Tentei engolir e senti um bloqueio estranho na garganta. Algo plástico. Algo errado. Levei a mão ao pescoço, os dedos trêmulos tocando o curativo, o tubo pequeno. - Calma, Tina. - A voz de Chiara veio do outro lado, profissional, mas embargada de alívio. - Não tente falar. Você está com uma traqueostomia. Vai incomodar um pouco, mas é o que te ajudou a respirar. Abri os olhos completamente. A luz do abajur era fraca, dourada. Dante estava ajoelhado ao meu lado. O rosto dele... meu Deus. Ele estava barbudo, com olheiras profundas, mas o sorriso que ele me deu foi a coisa mais bonita que já vi na vida. - Você voltou. - ele s
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