O TELEFONEMA NOTURNO SEBASTIAN A conversa com o Ricardo encerra-se deixando um rastro de tensão e exaustão na suíte executiva. — Caminho lentamente até a grande janela de vidro, fitando o mar de luzes que cobre a Curitiba noturna. O cansaço físico pesa nos meus ombros, mas a minha mente continua a mil por hora, remoendo cada palavra dita, cada ameaça velada do Ricardo e, acima de tudo, a imagem implacável de Marina e dos dois bebês que ela carrega no ventre. Sinto uma necessidade urgente, quase desesperadora, de ancorar-me em algo sólido, em alguma raiz que não seja moldada por contratos corporativos ou jogos de interesse. — Pego o celular de cima da mesinha, desbloqueio a tela e procuro o contato. Sem hesitar, dígito o número internacional da minha mãe. O sinal de chamada toca por alguns segundos que parecem eternos até que a voz dela, firme e carregada daquela sobriedade habitual que eu conheço desde a infância, ecoa do outro lado da linha. — Sebastián? Está tudo bem por aí
Leer más