CAPÍTULO 281 — A PRIMEIRA VEZ QUE O SILÊNCIO DOEU Depois que o telefone apagou… ninguém falou nada. O prédio inteiro permaneceu imóvel. Como se todas as pessoas ali estivessem esperando alguma coisa acontecer. Uma última sombra. Uma última vibração. Uma última mensagem. Mas nada veio. O inverno permanecia silencioso do lado de fora enquanto a chuva finalmente desacelerava sobre a cidade. A luz fraca da manhã começava a atravessar as janelas do térreo. E pela primeira vez desde tudo começar… o prédio parecia vazio. Não fisicamente. Emocionalmente. O horror atravessou Davi brutalmente. Porque agora ele entendia. Ausência não é silêncio. Ausência é perceber exatamente o que costumava preencher ele. A senhora Eunice limpou os olhos devagar. O porteiro sentou na cadeira perto da recepção como alguém envelhecido de repente. A mãe do menino do 402 abraçava ele forte demais. E ninguém precisava explicar nada. Todos sentiram. Alguma coisa importante tinha partido. Davi
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